terça-feira, 21 de abril de 2009

Multas


O aumento da criminalidade levou as polícias as intensificarem fiscalizações rodoviárias e, com isso, o Estado já arrecadou mais 5,2 milhões de euros em multas de trânsito, referentes a Janeiro e Fevereiro, do que em igual período do ano passado. Feitas as contas aos 21,8 milhões dos primeiros dois meses do ano, os condutores desembolsaram em Portugal 363 mil euros por dia.
Mesmo com uma greve às multas anunciada pela maioria dos militares da extinta Brigada de Trânsito da GNR, verificou-se um crescimento de 32 por cento do valor encaixado nos cofres das finanças públicas. Nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2008 as forças de segurança passaram autos no valor de 16,6 milhões de euros, uma importância que disparou este ano para os 21,8 milhões de euros.
Uma vez que a GNR continua sem disponibilizar dados das contra-ordenações, não é de excluir a hipótese de a subida de receitas reflectida na síntese mensal da Direcção-Geral do Orçamento ter sido conseguida na maioria pelo trabalho de fiscalização da PSP.
Paulo Flor, porta--voz da PSP, assegura que não houve mudança de comportamento por parte da polícia em termos de repressão, muito menos uma atitude deliberada de caça à multa. Ao contrário, admite ter existido um aumento da actividade operacional, pelo sentimento de insegurança que se instalou nos últimos meses.
Sendo as acções de fiscalização rodoviária um dos meios para detectar pessoas foragidas à Justiça, traficantes de droga, portadores de armas ilegais e outro tipo de criminosos, acabam por ser também detectadas mais infracções ao Código da Estrada. E o número de operações stop continua a aumentar, quer por parte da PSP quer da GNR.
A este reforço operacional juntaram-se duas importantes campanhas, na Páscoa e no Ano Novo, em que a presença das autoridades policias nas estradas foi mais forte, com o consequente aumento do número de multas.
DISCURSO DIRECTO
'REPRIMIR É UMA CONSEQUÊNCIA INEVITÁVEL' (Comissário Paulo Flor, Porta-voz da PSP)
Correio da Manhã – Como se justifica o aumento das multas nos primeiros dois meses deste ano?
Paulo Flor – Talvez pelo reforço da actividade operacional, justificado com o aumento do número de operações de nível nacional, para responder ao sentimento de insegurança, sobretudo de finais de 2008.
– Os portugueses queixam-se de que as autoridades se preocupam mais com a caça à multa...
– Essa é uma falsa questão. Reprimir é uma consequência inevitável. Mas na PSP continuamos todos os dias a trabalhar mais para prevenir do que para reprimir.
– O reforço na fiscalização é para manter?
– A tendência é para aumentar ainda mais a actividade operacional. E as fiscalizações do trânsito são um bom meio para detectar a criminalidade, tendo já este ano conseguido detectar situações de posse de armas ilegais, tráfico de droga e mandados de detenção por cumprir.
– Faltaram impressos para passar multas em Lisboa, em Março?
– Não. A actividade operacional não sofreu qualquer quebra na emissão de autos.
RECEITAS DO ESTADO
MULTAS DO CÓDIGO DA ESTRADA
Evolução anual
2000: 34,9 milhões
2001: 37,4 milhões + 7,16 %
2002: 55,9 milhões + 49,46 %
2003: 58,8 milhões + 5,18 %
2004: 66,7 milhões + 13,43 %
2005: 53,9 milhões - 19,19 %
2006: 66,6 milhões + 19,6 %
2007: 74,7 milhões + 12,6 %
2008: 88 milhões + 17,8 %
Evolução Janeiro/Fevereiro
2008: 16,6 milhões
2009: 21,8 milhões + 31,3 %
Fonte: Direcção-Geral do Orçamento
VELOCIDADE EXCESSIVA PODE CUSTAR 500 EUROS
A condução sob o efeito do álcool, o excesso de velocidade e a utilização de telemóveis são três das principais infracções cometidas pelos automobilistas portugueses. Caso seja apanhado ao telefone, o condutor incorre numa infracção grave, que implica uma coima de 120 euros e inibição de conduzir entre um a 12 meses. O excesso de velocidade pode ser punido com multas entre os 60 e os 500 euros, consoante se trate de uma infracção leve ou muito grave. Os automobilistas detectados com excesso de álcool no sangue, com taxas entre os 0,80 e os 1,19 gr/l, são obrigados a pagar 500 euros, sujeitando-se ainda a uma sanção acessória de inibição de condução entre dois a 24 meses.
APONTAMENTOS
ESTATÍSTICA
A PSP já detectou 96 861 infracções só nos primeiros três meses deste ano. De Janeiro para Março, registou-se um aumento de 3121 autos. Foram fiscalizadas 22 9943 viaturas.
ORÇAMENTO
Os valores das multas entrados no Orçamento do Estado têm vindo a subir desde 2000, com excepção de 2005, onde se verificou uma quebra de 19 por cento.
RECEITA
A receita com as contra-ordenações do trânsito chegou aos 88 milhões de euros no ano passado. Houve um crescimento de 17 por cento.
NOTAS
GOV. CIVIL: MOSTRA PAGAMENTO
A governadora civil de Faro, Isilda Gomes, diz ao ‘CM’ que, quando finalmente pagar a multa que apanhou na última semana por excesso de velocidade, vai mostrar o comprovativo
RECORDE: RECEITA DOBROU
Nos últimos nove anos, o maior índice de crescimento no valor cobrado pelas multas aconteceu em 2002. A receita aumentou 49 por cento em relação ao ano anterior
ESTACIONAMENTO: DIVISÃO
As multas de estacionamento não entram todas nos cofres do Estado. Se a infracção é cometida num espaço concessionado, o valor da contra--ordenação reverte para o concessionário

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Assaltos: Tem um cúmplice e ataca em todo o país


Engata na internet para drogar e roubarInsinua-se em conversas pela internet como uma mulher "topo de gama". Oferece os seus serviços sexuais e não tem dificuldade em aliciar os homens. O pior acontece durante os encontros: droga as vítimas com um tranquilizante (benzodiazepina) misturado em bebidas e rouba-lhes o dinheiro e bens.
Com este esquema, a mulher, de 40 anos, seduziu três homens em Viseu, que continuavam ontem internados no Hospital de São Teotónio – dois deles com amnésia total. A PSP procura a assaltante, que actua com um cúmplice, que já terá feito outras vítimas no Norte e no Algarve. No caso de Viseu, apenas um dos três homens, com idades entre os 40 e 50 anos, está identificado. Os outros estão de tal modo amnésicos que nem sabem os seus nomes. "Estão completamente apagados e não se lembram de nada", revelou uma fonte policial, salientando que a mulher lhes roubou o "dinheiro, bens e documentos".
A vítima em melhor estado de saúde contou às autoridades que conheceu a mulher "em salas de conversação (chats) na internet" e, em finais de Janeiro, encontraram-se em Viseu. "Ela foi buscar duas garrafas de sumo com a tampa aberta e beberam-no no interior do carro", explica a mesma fonte. A bebida do homem estava adulterada (um método conhecido por Drink Spiking), tendo depois a assaltante "feito dele o que quis", convencendo-o a levantar dinheiro. Roubou-lhe a carteira, documentos, dinheiro, o computador portátil e dois telemóveis. O homem chegou a sair do hospital sem ter alta, ainda sob o efeito da droga, mas despistou-se de carro e voltou a ser internado. Às outras vítimas também roubou cartões de crédito e fez levantamentos.
Estes casos "são o resultado da falta de cuidado no uso da internet. E é preciso ter muito, porque as vítimas ficam servos da agressora", disse o comandante da PSP de Viseu, Almeida Campos. A polícia já tem provas da presença da mulher na cidade, em hotéis e lojas.
PORMENORES
TAMBÉM BURLA
As autoridades policiais já têm alguns elementos identificativos da mulher. Suspeita-se de que seja a mesma que burlou várias pessoas na Região Norte, sobretudo na zona do Porto, onde se fez passar por juíza.
BENZODIAZEPINAS
São um grupo de fármacos ansiolíticos – Valium, Diazepam, Lorax – utilizados no tratamento sintomático da ansiedade e insónia. Têm como efeitos adversos a sedação, amnésia, má avaliação do perigo, confusão e alucinações. Em excesso provocam a morte

Seia: Casal que gere todo o processo de fabrico já só produz metade


Queijo da Serra está ameaçado"Estou a ficar sem forças e o queijo está cada vez menos rentável. Por isso, o mais provável é acabar com a produção", o desabafo do pastor António Simão espelha o sentimento dominante entre os produtores do queijo Serra da Estrela, uma actividade com o futuro cada vez mais em risco devido à falta de apoios, de mão-de-obra – sobretudo de pastores – e ao constante aumento dos custos de fabrico.
António Simão, de 48 anos, e Maria Odete, de 45, proprietários de uma queijaria tradicional em São Romão, Seia, são dos poucos na região que acompanham todo o processo de produção de queijo – desde o pastoreio das 400 ovelhas bordaleiras até à venda no domicílio.
Levantam-se diariamente às 06h00 para fazer a primeira ordenha, "quer chova ou caia neve". Depois, enquanto António – auxiliado pelo Leão e a Farrusca (dois cães da Serra da Estrela) – guia e vigia o rebanho pelos pastos, Maria fica no rés-do-chão de casa a fazer queijo com o leite recolhido de madrugada. Quarenta litros dão para seis/sete queijos.
A meio da tarde, António regressa com o rebanho e, após um descanso de três horas, os animais são sujeitos à segunda ordenha do dia. A seguir ao jantar, Maria desce de novo à sala de produção e faz mais sete queijos. "Há quatro anos fazia 30 por dia, agora só faço metade", lamenta Maria Odete, também ela cansada de uma tarefa "saturante" que impede o casal de conhecer o "outro mundo" para lá das encostas da Serra da Estrela.
"Há 23 anos que não fazemos outra coisa. Não podemos sair daqui, nem para visitar a nossa filha em Lisboa. No mês passado, o meu marido esteve três dias internado no hospital e foi um cabo dos trabalhos", refere a queijeira, que entrou no sector depois da fábrica têxtil onde trabalhava ter falido.
Esta é a forma de vida das pessoas que conseguem manter viva uma tradição milenar, mas que tem o futuro comprometido, como explica António Simão. "Os custos de produção – ração, gasóleo, energia e impostos – são cada vez mais elevados e o preço do queijo, ao contrário, está a baixar. Hoje vendemos o quilo a 12,50 euros – há cinco anos era a 18 – por causa de alguns produtores que não conseguiam vender o queijo de menor qualidade. Nós, que produzimos queijo certificado, tivemos que acompanhar a descida", conclui António Simão.
"PATRIMÓNIO VIVO A MANTER"
O envelhecimento dos produtores de queijo, a inexistência de pastores e o desinteresse dos jovens pelo sector está a preocupar a Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela (ANCOSE). "É um património vivo que é preciso manter e que não se pode deslocalizar", adianta João Madanelo, engenheiro da ANCOSE, salientando que na última década o sector teve de se adaptar às normas da União Europeia. Os agricultores foram confrontados com muitos problemas burocráticos e o aumento de encargos, que os fizeram desistir. O engenheiro reconhece que vender o queijo abaixo dos 15 euros "não dá sustentabilidade ao sector".
AUTARCAS RECLAMAM APOIO NA UNIÃO EUROPEIA
Conscientes de que o sector dos lacticínios é extremamente importante para a economia regional, os autarcas da região da Serra da Estrela apelam ao Governo para "apoiar a sério" os produtores. José Miranda, presidente da Câmara de Fornos de Algodres, não tem dúvidas de que, "se não houver apoios do actual quadro comunitário de apoio", dentro de 20 anos "não vai haver gente a fazer queijo". "Este produto é uma mais-valia para a região, do qual dependem milhares de famílias", adianta o autarca. Na mesma situação está Penalva do Castelo (Viseu) onde existem 40 produtores, a maioria com idades a rondar os 70 anos. "Esta crise pode levar muita gente a encontrar alternativas de trabalho. Há espaço no mundo rural para novos trabalhadores", afirma Leonídio Monteiro, presidente da autarquia.
NOVE FEIRAS
PROGRAMA
Até meados de Março, realizam-se nove feiras de promoção de queijo. Hoje é a primeira, em Penalva do Castelo. Seguem-se Fornos de Algodres (dia 8), Celorico da Beira (20), Gouveia e Manteigas (de 20 a 24), Seia (21), Trancoso (29 a 2 de Março), Oliveira do Hospital e Tábua (14 de Março).
ANIMAIS E ANIMAÇÃO
Os certames são aproveitados para vender ovelhas e cães da raça Serra da Estrela. Além dos petiscos, os visitantes podem assistir a festivais de folclore e actuação de bandas.
A 12,50 EUROS
O quilo do queijo custa 12,50 euros e será esse o valor a praticar nas feiras. O certificado custa mais 2,50 euros.
SEIS LITROS PARA UM
São necessários seis litros de leite para se fazer um queijo da Serra da Estrela com um quilo.
NÚMEROS
15 MILHÕES DE EUROS
A produção de queijo e criação de gado na região da Serra da Estrela gera por ano 15 milhões de euros de mais-valias.
TRÊS MIL EXPLORAÇÕES
Segundo a ANCOSE há três mil explorações agrícolas, que se dedicam à produção de queijo.
MIL TONELADAS
Por ano os agricultores produzem mil toneladas de queijo. Apenas uma pequena parte é certificada.
120 MIL OVINOS
Na região da Serra da Estrela há 120 mil ovelhas. Há quatro anos eram 150 mil.
FASES DA PRODUÇÃO
1 - Ordenha - Leite retirado à mão ou com máquinas.
2 - Transporte - É levado para a sala de produção.
3 - -Coagulação - Com cardo e sal, passa-se num pano de algodão. Fica hora e meia em banho-maria.
4 - Feitura - O queijo é moldado e fica sem soro.
5 - Prensa - Numa forma é prensado durante três horas.
6 - Estágio - Fica quase dois meses em câmaras.
7 - Venda- Finalmente é vendido

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Projecto polémico

Jornais nazis voltam a ser impressos na AlemanhaO editor britânico Peter McGee lançou o projecto polémico de reeditar na Alemanha antigos jornais nazis, como ‘Der Angriff’ (‘O Ataque’).
McGee explicou à BBC que o seu objectivo é, somente, ensinar aos alemães o seu passado e os crimes cometidos pelas tropas de Hitler. “Há duas opções, uma é deixar o material fechado nos arquivos, outra é mostrá-lo à opinião pública e promover o debate”, explicou. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a lei alemã proibe a exibição de propaganda nazi. Mas os responsáveis por esta reimpressão afirmam que a iniciativa é pedagógica e não propagandistica.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Maria de Jesus atravessou três séculos - Faleceu a mulher mais velha do mundo


A mulher mais velha do mundo, a portuguesa Maria de Jesus morreu, esta sexta-feira, na freguesia da Madalena, em Tomar. Tinha 115 anos.
A ‘supercentenária’ faleceu “pouco depois das 10h00, no trajecto para o Hospital de Tomar, para onde iria, numa ambulância, por precaução, devido a um ligeiro inchaço”, segundo fonte familiar que acrescentou que Maria de Jesus “ainda tomou bem o pequeno-almoço, mas tinha problemas decorrentes da idade”.

'Lamento a morte, mas é a lei da vida. Temos a consolação de ter conhecido uma senhora persistente, lutadora, que viveu com dificuldades e conseguiu superá-las, vivendo durante um período de tempo fora do comum', afirmou o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Corvêlo Sousa, sublinhando 'alegria de ter estado presente no último aniversário da senhora e partilhado, juntamente com toda a população, da simpatia da Maria de Jesus'. Ivo Santos, vereador do município também se mostrou entristecido com a morte de Maria de Jesus “que era uma verdadeira doçura”.

Nascida a 10 de Setembro de 1893 na freguesia de Urqueira, concelho de Ourém, Maria de Jesus teve seis filhos (uma morreu à nascença e outros dois faleceram recentemente), dos quais teve 11 netos, 16 bisnetos e cinco trinetos. Levou uma vida isenta de bebidas alcoólicas e café e tomava diariamente um comprimido para a tensão, dado pela sua filha, Maria Madalena, que dedicou os últimos 17 anos à mãe.

Acerca de mim

A minha foto
Viseu, Portugal
Não podemos mudar o passado, mas podemos moldar o futuro.